quinta-feira, 7 de julho de 2011

PINTO MARTINS UM CEARENSE ESQUECIDO PELO TEMPO.




Pinto Martins

Quem entra no Aeroporto Internacional Pinto Martins não imagina que foi Euclides Pinto Martins. Foi um político? Um empresário? Não. Ele foi um grande piloto cearense, nascido em 1892 em Camocim, logo aos 16 anos foi para a cidade de Natal (RN), onde entrou para a Marinha do Brasil, passando a pilotar navios. Aos 18 anos viajou para os Estados Unidos onde cursou Engenharia Mecânica, casou-se com uma americana. Voltando para o Brasil passou a trabalhar no DNOCS, depois de alguns anos volta para os Estados Unidos onde estudou aviação.
Em 1922, Pinto Martins idealizou um Rally New York Rio de Janeiro para comemorar o centenário da Independência do Brasil. Em 16 de agosto de 1922, ele decola da cidade de North River com um avião bi plano construído especialmente para esta viagem. Aplaudido por milhares de americanos que acreditavam na sua tentativa de atravessar o oceano Atlântico em um avião. Sua tripulação era composta de um mecânico, John Wilshusen, um jornalista de New World, Thomas Bye. Para documentar esta viagem o cinegrafista do Pathe, como piloto, ele entregaria ao americano John Balzer e como co-piloto Pinto Martins.
Como não havia aeroporto nesta rota estabelecida por eles, foi utilizado um avião hidroplano, seguindo uma rota sobre o oceano Atlântico. Este avião foi batizado com o nome de Sampaio Correia. Quando o avião se aproximava da baia de Guantama, em Cuba, sofreu uma pane no motor e caiu no mar das Antilhas. Flutuando, eles são socorridos pela patrulha marítima americana. Depois de vários dias eles partem da cidade de Pensacola na Florida em um velho avião, pois o primeiro havia se danificado na queda. 

   Em 3 de novembro de 1922, depois de várias escalas com sucesso na cidade de Port of Prince, o calor muito forte fundiu o motor do avião, nova parada foi necessária demorando um mês para a chegada de um novo motor e radiador. Novamente eles decolam no Sampaio Correria II para a fase final da trajetória.
Depois de voar mais de 100 horas e realizar um percurso de 180 dias finalmente eles chegam ao Brasil. A primeira cidade a pisar foi Belém, no Pará, seguindo depois para a cidade de São Luiz, no Maranhão, a próxima escala no Ceará, mais precisamente na cidade de Camocim, terra natal do piloto.

Homenagem da chegada de Pinto Martins a Camocim - Cé.

  Foram recebidos com grande festa pela multidão que queriam abraçar o herói da terra. A próxima escala Foi na cidade de João Pessoa, na Paraíba, e finalmente, em 8 de fevereiro de 1923, a comitiva chegou ao Rio de janeiro, onde foi recebida como heróis nacionais pelo povo carioca, sendo aplaudidos por uma verdadeira multidão. Houve desfiles pelas ruas com muitos fogos. Eles foram recebidos pelo Presidente Arthur Bernardes, que lhe outorgou a medalha Cruzeiro do Sul, lançando, na ocasião, um selo comemorativo pelo feito histórico, atravessar o Oceano Atlântico com um avião.  
 
Selo Comemorativo. 08-02-1923.
 Passados alguns anos deste acontecimento, o grande herói vai lentamente caindo no total esquecimento, passando despercebido, ele entra em depressão e em 12 de abril de 1934, Pinto Martins foi encontrado morto com um tiro na cabeça. Suicidou-se, por não suportou o anonimato. Não foi homenageado adequadamente com nome de rua ou avenida, apenas com um obscuro beco no bairro boêmio da Lapa. Mas em sua terra não foi esquecido completamente, pois foi dado seu nome ao Aeroporto Internacional de Fortaleza.
                                                     
Aeroporto Pinto Martins - Fortaleza - Cé
  Uma pena, mas a verdade é que nós, brasileiros, não cultivamos a memória dos nossos heróis, apenas lembramos quando lemos suas biografias. Mas nós historiadores estaremos sempre em buscar de personagens do passado, esquecidos pelo tempo. Sem o nosso trabalho não haveria vestígio do passado. 

             Valentim Santos.
            Professor Historiador e Sociólogo.



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